11/07/2020 10:00
O "novo normal" e o trânsito
Foto: Fernando Frazão/AB

Mesmo diante dos primeiros sinais de achatamento da curva de infecção pelo novo Coronavírus, a Covid-19 ainda é a grande preocupação do mundo atual. As medidas de isolamento e distanciamento social e os lockdowns nos colocaram diante de cenas nunca antes vistas em cidades globalizadas: ruas esvaziadas, prédios comerciais sem movimento e pouca circulação de veículos. 

Em Fortaleza, a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) contabilizou redução de 71% no número de acidentes envolvendo veículos entre os dias 20 de março e 31 de maio em comparação com o mesmo período do ano passado. Em consequência, o Instituto Dr. José Frota (IJF), principal hospital de trauma da cidade, percebe a redução de casos na emergência envolvendo essas ocorrências. Em abril, a queda no número de vítimas do trânsito atendidas no hospital foi de 35% comparado ao mesmo período de 2019.

Diante das primeiras experiências de reabertura da economia e de mais pessoas circulando nas vias (num ensaio do que será o "novo normal"), é interessante refletir sobre o cenário possível para alcançarmos a paz no trânsito: por meio da busca por mais calma e prudência nas nossas atitudes. Em um mundo em que as atividades do dia a dia nos pedem pressa, uma doença ainda pouco conhecida e de efeitos imprevisíveis nos coloca em posição de autocuidado permanente. 

No trânsito, a redução de acidentes ao número alcançado no período atual é plenamente possível. Isso pode acontecer se percebermos que a maioria desses acidentes pode ser evitada quando agimos conforme o que aprendemos nas autoescolas: obedecendo às leis de trânsito, aplicando a direção defensiva e exercendo o controle responsável dos nossos veículos. Na prática, essas atitudes são uma demonstração de autocuidado e de preservação da vida que todos podemos adotar cada vez que assumimos a posição de condutores. 

Desejo que voltemos às nossas atividades em breve, mas que seja em um momento seguro para todos e para contribuir no desenvolvimento de um ambiente pacífico - e que isso faça parte do conceito de "novo normal" que podemos construir a partir de agora.


 

José Eliardo Martins é presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Veículos do Estado do Ceará (SindCFCs). 

 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

10/07/2020 10:00
Os desafios da retomada às aulas

Segundo um balanço da Unesco, em abril 1,5 bilhões de crianças e adolescentes ficaram fora da escola em 188 países em virtude do COVID-19. Após 60 dias, em média, de aulas à distância, alguns países apresentaram redução e estabilidade de casos e iniciaram o retorno às aulas presenciais. 

A retomada às aulas trouxe ao sistema educacional inúmeros desafios quanto à fatores sociais, emocionais, sanitários e ao processo ensino-aprendizagem. Foi necessário reinventar e ressignificar a educação escolar.

Estamos em processo de adaptação e reflexão sobre essa nova rotina escolar, embora muitas dúvidas e incertezas. Em paralelo a isso, é necessário iniciar a construção antecipada de um plano de contingência pela gestão escolar. O primeiro passo na construção do plano é compreender o cenário que a escola se encontra e definir com clareza os novos protocolos e adotar estratégias eficazes para um retorno sem grandes percalços.

O planejamento estratégico exige pensar de forma sistêmica e personalizada a escola, definindo metas e ações considerando todas as áreas e elementos que fazem parte desse contexto. Quanto ao pedagógico, uma reorganização na quantidade de professores, redistribuição de carga horária, aplicação de avaliações diagnósticas da aprendizagem, inserção de novas metodologias e definição de novos horários de chegada, saída e intervalos para que não haja aglomerações. Para adotar novas medidas e rotinas, contabilizar os recursos financeiros disponíveis, como também ciência quanto à inadimplência e evasão escolar. 

No aspecto socioemocional, definir novas regras de convivência entre os estudantes e professores, estruturar atividades que fortaleçam e desenvolvam competências socioemocionais e intensificar a parceria com a família.

Preparar-se com antecedência e envolver todos os atores da escola fará toda diferença nessa retomada, embora saibamos que muitas demandas serão percebidas e realizadas com o decorrer dos dias. 

Os desafios da reabertura e a reformulação da escola não serão tarefas fáceis, porém, trarão novos conceitos, evidências de investimento no que é prioritário, urgência em encaixar no currículo as competências socioemocionais, adaptação ao novo e inserção contínua das tecnologias educacionais e metodologias ativas. 


 

Natália Ribeiro é pedagoga com habilitação em Supervisão Educacional. Ao longo de 10 anos coordenou a implantação nas secretarias de Educação do Estado do Ceará e do município de Fortaleza propostas de Escolas de Tempo Integral, como as Escolas Municipais de Tempo Integral que atende de 1º ao 9º ano e as Escolas Estaduais de Educação Profissional com Ensino Médio. Atuou como consultora de gestão educacional nas secretarias de Educação dos Estados de Sergipe, Maranhão e João Pessoa. Atualmente é fundadora da empresa Autonomy Educação com foco em consultoria para rede de escolas públicas e privadas.  

 

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08/07/2020 10:00
Produtor rural: Herói na Pandemia da Covid-19

A geração atual vem presenciando algo “sui generis” no Brasil. Uma reconhecida pandemia que, por motivos escusos, se transformou numa verdadeira guerra política, pela qual a vítima está sendo toda a população brasileira, afetando como sempre e com mais voracidade os menos afortunados e deixando fortes sequelas, muitas irreversíveis. 

Aqui não é espaço para entrar no mérito e nem para apontar culpados. Cabe aos poderes constituídos buscarem, no momento oportuno, os verdadeiros culpados e enquadrá-los severamente, para que esse triste episódio não mais se repita e fique registrado indelevelmente na história, como exemplo para as gerações futuras.

O motivo principal dessa minha manifestação é reconhecer o papel importante e destacado do setor primário, que, com competência, serenidade e racionalidade, manteve a máquina nos trilhos a todo vapor. Não fosse essa postura profissional e patriótica, os efeitos dessa pandemia teriam, com certeza, se transformado numa catástrofe geral: os alimentos mantiveram seu curso normal de produção e de abastecimento.

Aqui faço um apelo aos governos, nas três esferas (federal, estadual e municipal), que reconheçam essa patriótica e heroica atitude dos produtores rurais brasileiros, manifestando-se publicamente e passando a olhar com bons olhos as estratégias e as políticas públicas voltadas para o setor: crédito compatível, assistência técnica e extensão rural eficiente, eficaz e efetiva, pesquisa proativa e fomento oportuno à produção de alimentos.

Sempre na luta por uma Assistência Técnica e Extensão Rural pública, sustentável e de qualidade! Viva a ATER!


Sabino Alano Magalhães Bizarria é presidente da Assema; Secretário Geral do Sindicato Mova-se; Coordenador Adjunto do Fuaspec. 

 

 

 

 

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08/07/2020 10:00
Comportamento alimentar em tempos de distanciamento social

Com a necessidade do distanciamento social devido à pandemia, a população vem passando por muitas mudanças e esse novo cenário tem exacerbado o estresse, a ansiedade e os sentimentos de medo, tristeza e incerteza. Essa situação pode repercutir diretamente na relação das pessoas com a comida.

O comportamento alimentar é influenciado não só por fatores biológicos, sociais, econômicos, culturais, mas também pelas emoções. Experienciar o contexto atual e esse turbilhão de sentimentos pode afetar a alimentação das pessoas de forma diferente.

Algumas podem apresentar redução da fome, enquanto outras podem sentir a necessidade de comer mais. Essas mudanças pontuais na alimentação são compreensíveis e não precisam ser motivo de culpa, autocobrança e desgaste psicológico, principalmente, nesse momento em que a saúde mental está fragilizada.

Associado a isso, uma parcela da população intensificou a preocupação com a alimentação e o receio de engordar durante a pandemia, reforçado por piadas gordofóbicas. Essa apreensão tem levado muitas pessoas a restringirem determinados alimentos ou grupos alimentares. No entanto, dietas restritivas não são adequadas (salvo em situações clínicas específicas), pois podem comprometer o sistema imunológico, aumentar o desejo por alimentos “proibidos” e desencadear comportamentos alimentares disfuncionais, como o exagero e a compulsão alimentar.

O fundamental é ter uma alimentação possível, dentro da realidade de cada um, e não “perfeita”. A ideia é incluir mais, optando por alimentos mais naturais e nutritivos, e restringir menos. Aproveitar o momento em casa para desenvolver habilidades culinárias, incluir as crianças nas preparações, resgatar o hábito das refeições à mesa com a família.

É importante destacar que, como seres biopsicossocioculturais que somos, não comemos apenas por necessidade fisiológica. A comida é repleta de significados e assume diversos papéis na nossa vida. Alguns alimentos nos confortam, são fontes de alegria e também de prazer, alimentam o corpo e a alma. Por isso, a alimentação deve trazer leveza para nossos dias e contribuir para manter a saúde física e mental. Caso a alimentação esteja trazendo preocupação ou sofrimento, procure ajuda especializada.


Daniela Vieira de Souza é pós-graduanda em Comportamento Alimentar e professora da Unifametro.

 

 

 

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06/07/2020 10:00
A Covid-19 é um cisne negro?

Analisando o cenário econômico mundial anterior a novembro/2019, tínhamos uma corrente de redução mundial de juros básicos, com a finalidade de minimizar a desaceleração econômica mundial. Todas as nações mundiais já estavam sinalizando para a redução da aceleração econômica, através das influências legais, sociais, ambientais, tecnológicas que refletiam na econômica interna e externa dos países.

O termo "Cisne Negro" foi utilizado em analogia à espécie onde Cisne Negro é raro na natureza, e com isso o autor Nassim Taleb, utilizou pela primeira vez este termo em seu livro em 2007.

Com isso, para fenômenos que impactem diretamente o mercado financeiro de forma drástica usamos o termo Cine Negro. Muitos analistas atribuíam que os desastres ambientais, mesmo que raros mas frequentes, provocam efeitos devastadores nas economias afetadas. Se fizermos a analogia à Pandemia do Covid19 temos um fenômeno imprevisível, raro, mas com efeito devastador à econômica nacional e internacional.

O alto grau de contagio do Covid-19 colocou as empresas e governos em situação de vulnerabilidade. Os cisnes negros causam dificuldades profundas, neste caso, exemplificado pela falta de leitos hospitalares de UTI. Com o comprometimento das vias áreas dos pacientes e danos aos pulmões, o uso da UTI tornou-se vital para a manutenção da vida, com a variável tempo x financeiro, colocando os governos em xeque-mate. Medidas como o isolamento social voluntário e obrigatório, tornaram-se ferramentas para alongar a curva de contagio, e mediante ao uso substancial dos leitos hospitalares, o efeito colateral foi o fechamento das atividades econômicas não essenciais.

Lembrando do que falamos acima, as economias já vinham em uma tentativa de evitar a desaceleração da economia, com a redução das taxas de juros, no Brasil. Para além desta crise mundial tentávamos uma recuperação oriunda de um processo recessivo, portanto os efeitos de um cisne negro costumam ser bem profundos e dolorosos à economia brasileira.

A Covid-19 foge da similaridade dos cisnes brancos, que por outro lado, costumam ser mais previsíveis, e com isso mais fáceis de serem tratados com certa antecedência - portanto viável evitar a crise. O que acentua a definição da Covid-19 como Cisne Negro é a latente dificuldade em antever e prevenir a sua chegada e a imprevisibilidade de seus efeitos. Claro que isso não significa que não seja possível se proteger das consequências trazidas por ele.

Mesmo que o termo seja utilizado no mercado financeiro, podemos, por analogia, utilizá-lo nas atividades econômicas, pois as empresas envolvidas afetam por si ou indiretamente os rendimentos dos investimentos em bolsa.

O que podemos tirar desta crise e das demais é o legado deixado por ela, aproveitando os períodos difíceis, mapeando os impactos não só ao seu mercado, mas no todo para otimizar as estratégias e organizar as empresas através de alocação de seus recursos financeiros e humanos para estar mais preparados no futuro, lembrando que as crises são cíclicas, sempre retornam e devemos estar munidos de uma análise crítica evidenciada acompanhada de um plano de ação.

Alessandro Azzoni é economista, especialista em Mercados Internacionais e advogado

 

 

 

 

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04/07/2020 10:00
O protagonismo do streaming
Foto: Lucas Memória/GCC

Nos últimos dez anos acompanhamos o desenvolvimento e o surgimento de várias plataformas digitais oferecendo conteúdos em streaming, e o ano de 2020 tem sido pontual para essa nova modalidade de consumo. Apesar desta estar presente desde o início do século XXI, o fator do impulsionamento do streaming atualmente está associado à pandemia que estamos enfrentando.

Com mais tempo e necessidade de estar dentro de casa, as pessoas começaram a assinar/acessar plataformas de entretenimento. Mesmo com o streaming de música em suportes digitais como o Spotify, Deezer, Apple Music apresentando números expressivos desde 2015 no Brasil, o foco este ano esteve direcionado ao audiovisual.

De acordo com dados apresentados por uma matéria do site Metropolis, a audiência desses serviços de streaming cresceu 20% desde o início da pandemia. Só a Netflix ganhou no último mês de abril cerca de 16 milhões de usuários em todo o mundo. Os games também cresceram muito durante a pandemia com expectativa de lucrar 159,1 bilhões de dólares.

Aqui no Brasil podemos ver o serviço de streaming audiovisual da Globo, o Globoplay, garantindo o seu espaço com um grande apelo para as suas novelas, caracterizadas como superproduções e cativadas pelo público. Há também o serviço da Amazon, que com um preço bem acessível parece também querer entrar na briga “pela nova audiência”.

Seja no mundo dos games, no acesso a músicas ou nos produtos audiovisuais como as séries e os filmes, o streaming esteve sempre presente e agora, veio para fazer parte do nosso cotidiano como uma tendência já prevista, porém adiantada.


 

Flávio Marcílio Maia é professor substituto na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e redator conteudista. 

 

 

 

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03/07/2020 10:00
Compliance em teste – Efeitos da Pandemia

Grandes números sobre perdas são divulgados diariamente decorrentes do efeito da pandemia Covid19, que vão de população desempregada aos negócios fechando ou perdendo receita, e assim agravando o quadro de econômico, principalmente nos países pobres e emergentes como o Brasil, aumentando a desigualdade social.

E por aqui, no Brasil, as projeções seguem demonstrando que o cenário é complexo e irá requerer dos governantes e empresários uma boa estratégia e execução para retomada da rotina social e econômica. Dados do último boletim Focus do Bacen apontam queda no PIB brasileiro na ordem de -6,54%, já o Banco Mundial estima queda de -8%.

Diante desse cenário de recessão, a gestão tanto governamental como empresária, buscam alternativas urgentes para minimizar o impacto das perdas. Na esteira de resolver o ambiente sanitário, governos em regime de contratações e compras urgentes estão sob o olhar dos órgãos de controle e sociedade. Já as empresas para sobreviverem, buscam otimizar processos, antecipando estratégias que seriam de médio ou longo prazo para se adaptarem ao novo momento.

É importante comentar que em um ambiente de controle interno frágil, sem o devido respeito as boas práticas de gestão e Compliance, toda tentativa de minimizar as perdas pode agravar o quadro. Visto que a tentação para o não cumprimento regras ou estreitar caminhos se eleva para conseguir o objetivo.

Em uma publicação realizada pela consultoria EY, que trata da Covid19 e triângulo da fraude, alerta para o surto de fraudes que podem ocorrer decorrente desse cenário. O triângulo da fraude de Cressey (1953) traz três fatores que podem influenciar governantes, executivos, funcionários públicos e privados, que são: pressão, oportunidade e racionalização. Na pressão, há uma busca por alcance de metas ambiciosas em condições difíceis. Quanto a oportunidade, fragilizar controles em detrimento ao cenário de crise, e a Racionalização faz com que o fraudador justifique o ato lesivo pela condição pessoal adversa.

Portanto, a pandemia seria uma “tempestade perfeita” para que esses fatores se tornem realidade dentro de uma esfera governamental ou dentro de empresas privadas. Ficar atento as mudanças e adaptar-se com velocidade, é crucial, mas tão importante quanto, é o alerta para o cumprimento de normas, procedimentos e legislações em vigor para manter a ética e o Compliance fortes. 


Roque de Moraes Martins é contador, mestre em Administração de Empresas e diretor Financeiro e de Controle no Instituto Nordeste Cidadania. 

 

 

 

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01/07/2020 10:00
Como ficam as Telecomunicações com a criação do novo Ministério?
Fábio Faria foi nomeado ministro das Comunicações. (Foto: Alan Santos/PR)

Neste mês, assistimos à recriação do Ministério das Comunicações. Pasta na qual ficaram subordinadas a Anatel e as estatais Correios, EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e Telebrás (Telecomunicações Brasileiras), além das concessões de RTV. Vejo esse movimento como algo muito positivo para as Telecomunicações, pois proporcionará um olhar mais direcionado para as pautas do setor, algo diferente do que ocorria no arranjo anterior, que tinha um escopo muito maior englobando também ciências e tecnologia. Vale dizer, essa mudança veio em boa hora, quando estão se avizinhando temas importantes para o setor que exigem toda a atenção e cuidado.

O novo ministro Fábio Faria assumiu a pasta, na quarta-feira (17), e durante sua posse fez um discurso apaziguador, colocando em destaque temas relevantes como a implementação do 5G, além de afirmar que a tecnologia terá impacto significativo na economia e no acesso ao conhecimento, afirmação que apoio completamente.

Agora, as dúvidas são relacionadas às ações futuras. É preciso saber se ele irá manter as estruturas das secretarias, que possuem profissionais competentes e técnicos em posições de liderança - como nunca houve em outro governo - e que vêm transformando a dinâmica da Indústria, aplicando esse conhecimento e entendendo os temas transformadores para o setor de telecomunicações, com um olhar mais amplo e técnico. Entre eles, destaco o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Leonardo Euler de Morais e o Secretário das Telecomunicações (MCTIC), Vitor Menezes.

A permanência de quadros altamente qualificados em posições de liderança, como os citados acima, é fundamental para a continuidade dessa evolução de como o legislador interpreta o mercado. Também seria muito importante a busca, junto ao ministro, de um diálogo para sua familiarização com todas as questões relacionadas às Telecomunicações, por ser um mercado com muitas particularidades no Brasil. Para começar, tem mais de 10 mil empresas operando no setor - não há nenhum outro país com tantas operadoras competitivas no mercado, por exemplo. Além disso, há mais de 3 anos, o sistema registra recordes de adição de fibra óptica graças àquelas companhias que se encaixam na definição de Prestador de Pequeno Porte (PPP). Sem a atuação delas, a penetração da banda larga seria bastante restrita e com menor velocidade, principalmente porque essas empresas utilizam predominantemente a fibra óptica como meio de conexão, que permite maior velocidade de acesso.

O que se espera é que o responsável pela nova pasta jogue luz no mercado de Telecomunicações, mostrando ao grande público qual sua dinâmica e composição, além de ser importantíssimo que o ministro aborde temas na área de infraestrutura e de tributação, e a própria licitação do 5G, que é fundamental, assim como todas as regulações que envolvem essa tecnologia.
A ideia é que ele tenha olhos focados para o setor, já que a Comunicação em si sempre teve um destaque muito grande para o poder público, no que se refere a concessões de rádio e TV. Hoje, a informação está rapidamente se deslocando para as mídias sociais. Também, é necessário lembrar que sem a internet as pessoas não conseguiriam produzir da forma como fazem hoje e, muitas delas, seriam impossibilitadas de permanecer em casa neste momento, colaborando com isolamento social durante a pandemia.

Desde a privatização do setor com a Lei Geral das Telecomunicações, em 1997, houve transformações muito rápidas, notadamente nos últimos 10 anos. A nova Economia Digital - que incorpora tecnologias e os dispositivos digitais nos processos de produção, na comercialização e na distribuição de bens e serviços - citada no discurso de posse do novo ministro, também só existe devido à internet e o papel da fibra óptica é fundamental para sua disseminação.

Por isso, é necessário que o setor esteja maduro, com um Marco Regulatório estável para proporcionar investimentos, e a pacificação de temas relacionados a impostos e infraestrutura, como o compartilhamento de postes e fibra, que são controversos. Tudo isso, respeitando a dinâmica e as peculiaridades do setor - fazendo com que grandes, médias e pequenas empresas possam coexistir e jogar juntas. Somente assim, será possível o desenvolvimento sustentável desse mercado tão importante para a sociedade.

Desejo ao ministro e sua equipe toda a sorte nesse momento. Que o seu bom senso, demonstrado no discurso de posse, seja mantido, apesar das pressões dos agentes externos, e que possa dar continuidade ao projeto de um setor público mais técnico e moderno, que evolui junto com o mercado, e entenda o papel essencial das telecomunicações, nesse cenário que se desenha como o "novo normal".


Carlos Eduardo Sedeh é CEO da Megatelecom, empresa que oferece serviços personalizados na área de telecomunicações e Vice Presidente Executivo da Telcomp (Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas).

 

 

 

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29/06/2020 10:00
Elevando o tom na estratégia de inclusão LGBTI no mercado de trabalho

“Você acha que eu vou convidar representantes dos RHs das empresas para um evento e pedir que contratem travestis? Impossível!”. Foi isso o que eu ouvi de um ex-secretário do Trabalho e Desenvolvimento Social do Estado do Ceará, em uma reunião onde apresentei um plano integrado de promoção de ambientes de trabalho inclusivos e da empregabilidade de pessoas LGBTI+ no mercado de trabalho cearense, que desenvolvi durante 4 anos de pesquisa e trabalho em ONGs e no setor privado.

O Brasil não é somente o país que mais mata pessoas LGBTI no mundo, mas também protagoniza diversas outras agressões sistemáticas contra esses corpos que barram seu acesso à cidadania, através da negação de uma educação de qualidade, de um serviço de saúde humanizado e de direitos humanos como o emprego e a renda.

Aqui, o movimento social se organizou fortemente contra a discriminação no ambiente de trabalho durante a ditadura, mas esse debate ficou em segundo plano nas últimas décadas, uma vez que o histórico de assassinatos contra pessoas LGBTI+ no Brasil indica a existência de um plano de extermínio de nossos corpos, patrocinado inclusive pelo Estado e amparado pelo setor reacionário na política brasileira, onde a defesa do direito de viver da pessoa LGBTI+ se tornou a principal pauta do movimento até hoje. Até porque nada antecede o direito à vida.

Uma pesquisa do Ibope, em 1998, relatou que 60% dos brasileiros não contratariam um homossexual. Os tempos mudaram um pouco de lá pra cá. Uma outra pesquisa, realizada pelo Pew Research Center, em 2014, revelou que 60% dos brasileiros acredita que a sociedade deve aceitar a homossexualidade como algo normal. Na prática, esse desejo de “normalidade de tratamento” passa a ser questionado uma vez que pessoas LGBTI+ ocupam espaços de poder e a competir pelas posições anteriormente monopolizadas pelas pessoas heterossexuais e cisgênero no Brasil.

Uma pesquisa realizada pela Santo Caos, em 2017, mostra que 33% das empresas brasileiras não contratariam LGBTIs para cargos de chefia. O Vagas.com – um dos maiores portais de contratação profissional no Brasil – fez um levantamento sobre quais eram as vagas que mais eram preenchidas por pessoas LGBTI, sendo elas: cabeleireiro, atendente de loja (moda feminina), maquiador, comissário de bordo e estilista. Entre as menos ocupadas por pessoas LGBTI+ estavam: gerente financeiro, diretor de produtos, presidente de empresas, analista de sistemas e analista de crédito. Isso é revoltante, uma vez que nossos espaços na sociedade parecem ser pré-determinados por estereótipos que limitam o potencial e as oportunidades dos nossos seres. Não há nada de errado em trabalhar nessas áreas, mas nossos destinos não podem estar limitados a elas. Lugar de LGBTI+ deve ser aonde ele ou ela quiser. Logo, a resistência que o secretário de Estado mencionado acima demonstrou não é isolada, mas me assusta que esse tipo de visão permaneça na gestão pública pautada no trabalhismo.

O caso da discriminação contra pessoas trans e travestis apresenta uma falha no próprio sistema da nossa democracia de direitos ao demonstrar claramente que, por conta da discriminação, mesmo em um ambiente com ampla disponibilidade de vagas de emprego, essas pessoas ainda não conseguiriam acesso a tais vagas. Essa é uma realidade que precisa mudar. Transfobia é crime desde 2019 no Brasil e a discriminação no mercado de trabalho está inclusa na decisão do STF que proibiu tal prática.  A falta de acesso ao emprego digno também mata!

Só que simplesmente o acesso ao emprego não resolve o problema. Se o Brasil quiser realmente incluir as pessoas LGBTI+ de forma correta, será necessário desenvolver uma cultura inclusiva e emancipadora nas empresas, onde as lideranças assumirão o compromisso transversal de suas pessoas jurídicas com a inclusão em seus discursos e posicionamentos, criarão políticas de não-discriminação, canais de denúncia internos, programas de conscientização e educação pela diversidade, treinarão seus gestores em diversidade e inclusão, criarão de grupos de afinidade para debater e definir ações afirmativas para a causa na empresa, revisarão processos de recrutamento retirando viés discriminatório, contratarão mais pessoas LGBTI+ e garantirão equidade salarial e promoção de carreiras. Uma empresa inclusiva faz esse tipo de coisa, e não somente cria produtos e serviços com a bandeira LGBTI+ e personalidades da causa no Brasil, como tá na moda por aí. É preciso questionar até mesmo se os profissionais de marketing que estão criando produtos e serviços pra nossa comunidade nessas empresas são LGBTI+.


Ítalo Alves é cofundador da startup social LGBT TODXS, coordenador regional da Aliança Nacional LGBTI, membro do comitê estratégico do Movimento Acredito e um dos fundadores do Global Shapers Fortaleza – coletivo de jovens ativistas vinculado ao Fórum Econômico Mundial. O texto foi publicado originalmente no site Mídia Bixa. 

 

 

 

 

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