01/04/2020 10:00
Coronavírus: Como manter o seu negócio e minimizar as perdas

Os tempos nunca antes vividos com a chegada do Coronavírus representam uma necessidade para repensar boa parte da estratégia da sua empresa. A Economia sofrerá nos próximos meses. Uma das reações mais comuns nestes momentos é a paralisia decisória. O convite agora é para agir, mudar o foco, e trabalhar para manter sua empresa funcionando e minimizar as perdas. Seguem algumas dicas.

É hora de olhar para dentro da sua empresa. Como tudo está parando e estamos deixando de fazer negócios com nossos clientes e fornecedores, teremos impacto direto no caixa. Depois de desmobilizar equipes e colocar as que puder em home office, procure dedicar seu tempo e energia para projetos e ações internas que envolvam temas como redução de custos, otimização e automação de processos, inovação e aumento da produtividade. A diminuição do movimento cria espaço e tempo para dar mais foco a essas ações e isso preparará sua empresa para ser mais veloz e eficaz na retomada pós crise. Por exemplo, otimizar seu processo comercial poderá lhe proporcionar mais vendas na retomada.

Esse também pode ser o momento de tomar aquela decisão difícil, que vem sendo adiada, mas que pode representar redução de custos, por exemplo. Se você puder tomá-la, não hesite. Também não tenha nenhum pudor para negociar o que for possível com fornecedores para redução temporária de despesas. Sua sobrevivência vem em primeiro lugar, mas lembre-se também que seu parceiro está no mesmo furacão. Assim, se puderem chegar num acordo onde ambos minimizem o impacto, melhor para ambos.

Também é natural que nesse momento, com tanta coisa acontecendo, a energia sua e da equipe diminua. Por isso, como líder, você precisa guiar o barco nesse momento. Faça reuniões virtuais, crie novas rotinas e projetos ou adapte projetos antigos. Tais ações ajudam a manter o foco e o movimento da empresa. Lembre-se, este é apenas um jeito diferente do trabalho ao qual vocês já fazem. E é temporário.

É nesse momento de crise aguda que sua liderança é fundamental, para manter seu negócio em pé, até que esse furacão passe. Com inteligência, foco, energia positiva e trabalho, sua empresa certamente sairá dessa crise ainda mais forte.

Carlos Eduardo Araújo é sócio e consultor da Parceria Consultores. 

 

 

 

 

 

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30/03/2020 10:35
Coronavírus e os mercados globais

Nos últimos dias, a preocupação com o surto de Coronavírus se espalhando por outros países trouxe além de imensa preocupação com a saúde global, muita volatilidade aos mercados financeiros. E é absolutamente natural os investidores se questionarem. Os temores a respeito de efeitos mais profundos na economia global do que estavam previstos, levaram as bolsas internacionais a terem quedas bruscas à medida que as cadeias de suprimento se mostraram mais impactadas do que o esperado. Em função da aceleração de novos casos confirmados do Covid-19 na Europa, principalmente na Itália, além de vários casos confirmados em solo brasileiro, o nível de apreensão em torno dos impactos econômicos do Coronavírus atingiu nova alta.

Para alguns analistas de mercado, as primeiras projeções apontam que a economia chinesa reduzirá seu crescimento econômico de 6% a.a. para 5,1%, em 2020. É difícil, entretanto, prever os desdobramentos dessa perda de fôlego sobre os parceiros comerciais da China, já que a situação atual não tem precedente. Para o Brasil, a ameaça do Coronavírus impacta a economia local por meio de três canais distintos:

  1. Desaceleração da demanda global;
  2. Falta de insumos utilizados no processo produtivo;
  3. E a queda no preço internacional das commodities.

A desaceleração do crescimento global, intensificada por causa da disseminação do Covid-19, elevam cada vez mais a probabilidade de mais estímulos monetários por parte dos bancos centrais dos Estados Unidos e China. No Brasil, é importante monitorarmos também a evolução das medidas econômicas e políticas por parte do governo para que ao menos, no cenário local, possamos focar na retomada econômica e possível expansão da doença no território local. Os próximos dias tendem a continuar voláteis, e com um cenário de menor crescimento global. Recomendamos maior cautela com ativos relacionados à economia internacional, como commodities (petróleo, minério de ferro, papel e celulose) e o setor de transportes, como as companhias de aviação.

Com esta preocupação, a palavra da vez é a incerteza. E sobre essas incertezas, são três as principais:

I. A falta de previsibilidade nos próximos dados de atividade econômica por conta da doença;

II. A dúvida sobre quanto tempo o surto do Coronavírus vai perdurar;

III. E qual será o impacto no crescimento econômico no mundo.

Apesar disso, acreditamos que agora o melhor a se fazer é ter cautela, calma e aguardar mais notícias concretas sobre a evolução do vírus no Brasil e no mundo. Por isso, é de extrema importância encaixar a alocação do portfólio dentro da sua realidade, sempre buscando diversificação e proteções para momentos como estes.

Antônio Glênio Moura Ferreira é mestre em Economia e professor universitário 

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27/03/2020 03:45
O vírus que mata não só as pessoas, mas a arte
La Biennale di Venezia Archittecture. 

Primeiro veio o cancelamento da Feira de Milão, logo em seguida grandes museus, até Guggenheim anunciar o fechamento de suas portas e desencadear esse acontecimento em todos até chegar na maior Bienal do Mundo, a La Biennale di Venezia Archittecture. De longe, tirando a época das guerras e pós-guerras, esse é o acontecimento que mais trouxe prejuízo para o setor. O mercado da arte não é algo novo. Anualmente, movimentam-se cerca de R$ 208,3 bilhões em todo o mundo. Nos Estados Unidos, esse ramo é o segundo no pilar econômico do país. Na França, somente no ano de 2018, foram investidos cerca de 10 bilhões de euros na cultura. Seguindo a premissa intelectual, um país rico é aquele que investe em arte, e isso mostra o quanto tímido está o Brasil, apesar de estar em crescente evolução. 

Grandes nomes do país, com reconhecimento que vem ganhando internacionalmente, contribuem para o avanço. Depois dos museus fechados, galerias de todos os tamanhos, feiras, festivais tudo foi cancelado. Colecionadores perderam dinheiro em seus investimentos nas bolsas. Até pra enviar uma obra pra outro país é complexo, você não consegue mais os documentos de liberação junto ao IPHAN, pois o mesmo está fechado e também pelo fato de que a aviação praticamente paralisou em alguns lugares do mundo. Em sua essência, todo artista é um grande empreendedor, pelo fato de agregar valores estéticos ao seu trabalho que se converte em econômicos. Isso implica a mobilização de agentes culturais como museus, críticos de arte, curadores, historiadores, museólogos e especialistas da área em geral na criação de uma complexa rede de capital econômico.

A vida de artista já não é muito fácil, somos todos autônomos num país que praticamente não existe incentivo cultural, principalmente para artistas com menos de 10 anos de mercado. Aqui o caminho é o contrário, em todo canto do mundo, o que mede o valor do artista é seu currículo, qual galeria expôs, qual prêmio venceu, lugares que ele conseguiu espaço que ninguém conseguiu e por último, tempo de mercado. Estados americanos, cidades europeias e a China estão distribuindo incentivos de 5 a 15 mil dólares para que artistas residentes possam continuar trabalhando suas artes, continuar tendo o recurso ideal para deixar registrado na história esse momento, não só nos livros de história e Wikipédia, mas com imagens, instalações e poesias. Hoje o mundo está de cabeça pra baixo, sem previsão de normalidades. Esse vírus é um vilão sem máscara, a única coisa que temos contra ele, são nossas mentes criativas fazendo arte pela arte. Registrando nossos pensamentos, ideias e deixando na história um pedaço de nós nesse momento tão complicado para humanidade. 

 

Juca Máximo é artista visual, designer, escultor, ilustrador e músico. Reconhecido em mais de 20 países, ele fez exposições em galerias importantes espalhadas por quatro continentes. 

 

 

 

 

 

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25/03/2020 01:28
Mês da mulher: O que comemorar?

O mês de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Esta data nos convida a refletir o cenário atual no qual se encontram as mulheres brasileiras. Somos milhões, e estamos nos mais diversos espaços, públicos e privados, buscando viver com dignidade e propósito.
 
Este dia nos traz a memória a resistência de milhares de mulheres, do início do século XX a um contexto sociojurídico opressor, especialmente no ambiente laboral, em virtude de exploração e negação de direitos. Diversas manifestações, tanto em busca de melhores condições de trabalho e segurança alimentar, foram realizadas por mulheres nos Estados Unidos e em países europeus.
         
Em 1975, a data 8 de março foi oficializada pela Organização das Nações Unidas como um dia de luta das mulheres. Em 2020, precisamos identificar os marcadores sociais e políticos que ainda fomentam a desigualdade de gênero, por consequência, a violência contra a mulher, e a negação de uma vida plena, livre e segura para todas. Nos dias atuais, infelizmente, é difícil, para as mulheres, não ter conhecido ou vivenciado alguma situação de violência contra a sua dignidade, liberdade e respeito em qualquer ambiente.
 
A plataforma de dados EVA, da organização Igarapé, informa que mais de 1,2 milhão de mulheres sofreram violência entre os anos de 2010 a 2017. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre os anos de 2014 e 2018, a cada quatro minutos foi registrado um caso de agressão contra a mulher, totalizando mais de 145 mil casos de violência física, sexual, psicológica entre outros. Os serviços de saúde são obrigados a notificar, em até 24horas, aos órgãos policiais, os casos de indícios de violência contra a mulher. Tal notificação visa desenhar políticas públicas efetivas de promoção e atendimento a essas mulheres.
 
Segundo dados do Instituto Locomotiva e Instituto Patrícia Galvão (2019), 97% das mulheres dizem que já sofreram assédio no transporte público e privado no Brasil. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil, incluindo a violência sexual que atinge sobremaneira meninas no ambiente doméstico. É importante destacar também a invisibilidade, desvalorização ou obrigatoriedade do trabalho doméstico imputado a mulheres, bem como situações de assédio moral e sexual no ambiente laboral e de representação política.
 
No pano de fundo dessas violências, encontra-se a ideia machista e patriarcal de que as mulheres devem ser inferiores aos interesses e vontades dos homens, fato que ainda é perpetuado na educação familiar, comunitária e propagandas nos meios de comunicação. Como informa a lei 11340/2006(Lei Maria da Penha), Poder Público, famílias e sociedade devem atuar na promoção de direitos e prevenção da violência, reconhecendo que “toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social”.
 
No Ceará, desde 2017, temos a Casa da Mulher Brasileira em Fortaleza, onde diversos órgãos da assistência social, segurança e justiça atendem, 24 horas por dia, mulheres em situação de violência no ambiente familiar ou violência sexual urbana. Cabendo a sociedade, universidades e as instituições privadas não serem omissas quanto a esta realidade, devendo auxiliar nas divulgações dos canais de promoção de direitos, e de diálogo, acolhimento e denúncias de violências, inclusive em âmbito comunitário e familiar. Para denunciar casos de violência contra a mulher, disque 180!

Isabel Sousa, advogada, integrante da Comissão Especial dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB-CE, e do Coletivo @artigo227.

 

 

 

 


 

Jéssica Araújo,  professora universitária da UNINASSAU Parangaba e técnica do Núcleo de Atendimento à Vítima de Violência do Ministério Público do Ceará.

 

 

 

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23/03/2020 10:00
Inserção LGBT no mercado de trabalho formal

Desde a Era da Industrialização, as relações entre empregador e empregado sempre foram bastante estreitas, padronizadas e a diversidade sexual no trabalho era quase inexistente nessa época. O quadro de funcionários em sua maioria era composto por homens, por ter como principal meio de atividade o trabalho braçal. Mas conforme o passar do tempo, a inserção de pessoas LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, intersexuais, assexuais e pansexuais) é um assunto que está tomando proporções maiores e se faz necessária a articulação de políticas internas nas instituições em combate ao preconceito nos processos seletivos e no ambiente de trabalho.

Sendo assim, mostra-se a importância de entender mais sobre o processo de inclusão dos LGBT no mercado de trabalho formal, a fim de explorar nossos conhecimentos e nos desenvolver enquanto futuros gestores de mercado. Consideramos que todos nós devemos estar preparados para trabalhar e gerir todos os tipos de pessoas, independente de gênero, cor, religião, orientação sexual etc. Um fato é que, para certos grupos, a entrada no mercado de trabalho formal é um tanto quanto mais difícil por conta de preconceitos existentes na sociedade. Um desses grupos é o de pessoas LGBT, que sofreram e ainda sofrem com práticas hostis por parte de outros indivíduos.

É necessário um entendimento maior sobre o atual cenário acerca da inclusão LGBT no mercado de trabalho formal, sendo estudados assuntos como o surgimento dos primeiros movimentos da comunidade LGBT, o que ocasionou para que tais movimentos fossem necessários e o que os mesmos trouxeram de novo para a sociedade, assim como procuramos aprofundar mais o nosso conhecimento no que se refere ao nome social e também o reconhecimento sobre a identidade de gênero.

Cabe pensarmos em soluções que tragam efetividade para os processos seletivos, inserção e empregabilidade das pessoas LGBT no mercado de trabalho. Os métodos de avaliação podem ser menos normativos e mais coerentes. Pesquisas comprovam que nas empresas onde há diversidade de raça, etnia e sexo, os problemas organizacionais, as metas e objetivos são alcançados com maior eficiência e mais alternativos.

Existem várias ferramentas usadas nas instituições que podem ser exploradas a fim de maximizar esse tema: treinamentos, campanhas, uso do endomarketing, palestras com instituições, parceiras dentre outros. O pontapé inicial depende de nós. O mercado de trabalho é para todos.

Soraia Pereira Jorge de Sousa é professora universitária, mestra em Psicologia e especialista em Administração de Recursos Humanos.

 

 

 

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18/03/2020 10:30
A Improvável Esperança

A Esperança parece não caber em um texto que se faz de forma lógica racional dentro de um desenrolar de acontecimentos que marcam o ano de 2020 desde o seu primeiro dia. 

A total falta de projeto institucional, a cultura do ódio, da intolerância, ao corte nas áreas essenciais da educação, pesquisa e cultura, dentre o que eu poderia elencar de fatos e sentimentos que motivariam que este texto fosse pessimista, coroando pelo aparecimento avassalador do Coronavírus, que parece ter chegado de tão longe. 

Mas improvável aconteceu: o pequeno, o singelo, o que poderia parecer desapercebido fez-se maior do que tudo.  Mesmo em face de tão apocalíptico cenário, tão exposto nas redes sociais, na impressa televisiva, nos muitos grupos de wastapp e até no ainda ouvido rádio, a esperança renasce. 

A  exaustão dos médicos e de suas equipes, o canto confinado em suas varandas e janelas domésticas dos sofridos italianos que com eloquência fizeram unir um povo pela música e sentimento de coletividade, a as ações fraternais em torno de um bem comum no mundo, motivaram-me a um impulso de esperança. 

Pelo menos meste momento de reação ao medo e desorientação, nem o linguajar acompanhado pelo obscenidade gestual sempre correspondente a quem parece ter orgulho no ato e na má palavra ao não conseguir argumentar um plano que o cargo exige aqui no Brasil, parece ter me tirado, uma esperança que me fez lembra "Il Poverello, São Francisco de Assis, quando dizia, que "Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras..."  

Sei que a qualidade de vida dos pobres e dos miseráveis em nada mudou, e sei também que o "vírus fome" mata 8.500 crianças por dia...e o pior  que existe uma vacina e esta chama-se comida mas que a distribuição de renda mantém essa morte ceifadora avassaladora.  

Tudo isso me dá motivo para fazer uma literatura pessimista, todavia, quero juntar meus joelhos aos do Papa Francisco na Igreja de São Marcelo em Roma, em pensamento e coração e pedir, na recordação da " Grande Peste" de 1522, e ser esperanço. 

Que seja agora, agora de união, para transformação, no sacrifício, no sofrimento para mudar nossas ações e pensamentos, nossas opões e apoios aos incompetentes, maus e charlatões.

Na quarentena do recinto do lar, para quem tem lar, possamos sofrer pelos que sofrem da doença que se alastra, possamos pensar nas nossas opcões políticas que provocam consequências sempre em grande escala e que implicam na vida de milhões, e que não deixemos de lavarmos as mãos, mas convardemente não como Poncio Pilatos, mas ajamos livrado-nos da sujeira, de sangue inocente e do vírus.  

E álcool gel 70 sempre! 

Vanilo de Carvalho, advogado, professor universitário, especialista em Direito Constitucional, mestre em Direito Internacional, conselheiro da Ordem dos Advogafos do Brasil, membro da Comissão Nacional do Exame de Ordem (Brasília) membro do Instituto Ph, membro da Academia Brasileira de Cultura Jurídica, Cavaleiro da Ordem de Malta (Roma), membro da Comissão de Justiça e Paz (vinculado à CNBB), escritor, analista político-social, educador jurídico.

 

 

 

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16/03/2020 10:00
Direito das crianças portadoras de Autismo
Foto: Gabi Trevisan/Reprodução

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma alteração do neurodesenvolvimento que prejudica o processo de comunicação da pessoa afetada. Contudo, fica claro que pacientes acometidos pelo TEA necessitam de acompanhamento especial, seja na escola ou qualquer espaço que careça de comunicação. A interação social é uma das peças prioritárias no tratamento, independente do grau de severidade. O profissional especializado buscará métodos psicopedagógicos com intuito de inserir o paciente na sociedade, mas essa garantia, lamentavelmente tem sido requerida nos tribunais da Justiça.    

Vale ressaltar que, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) houve um aumento 37,27% de crianças diagnosticadas como portadoras do TEA – um desafio para estabelecimentos de ensino, sobretudo para a rede pública. Mesmo diante desse crescimento, fica claro que as escolas ainda não estão totalmente adaptadas ao processo que envolve conteúdos didáticos, formação de educadores, atividades pedagógicas e avaliações específicas que devem ser utilizadas nesse processo de inclusão.

Advogados têm acompanhado casos diversos a fim de garantirem a inserção dessas crianças na sociedade, todavia, vale destacar que as dificuldades já se iniciam no período, estabelecido por profissionais da saúde, que visa reconhecer se uma criança é portadora do TEA. O drama dos pais aumenta com as negativas de planos de saúde e a falta de acompanhamento adequado na rede pública de saúde.

Mesmo com a constatação em laudo prescrito pelo médico, muitos exames são negados pelas empresas e cooperativas de saúde. Para garantir o tratamento adequado que abrange psicologia comportamental para pacientes com TEA, terapia de reabilitação, fonoaudiologia, terapia ocupacional, entre outros, muitos pais e responsáveis ingressam com ação judicial. Como mediadora dos referidos conflitos, a Justiça tem demostrado uma atenção diferenciada em virtude de os procedimentos terem sido solicitados por especialistas da medicina, que ressaltam possíveis prejuízos a saúde da criança. A partir dessa constatação, logo a decisão se torna favorável à família que requereu o acompanhamento, garantindo o custeio integral para tratamento adequado.

Por fim, analisando a temática como jurista, fica claro que a sociedade ainda precisa habituar-se exigindo o que há de direito. Percebemos que muitas escolas que são adeptas ao processo de inclusão não se utilizam das técnicas que identifiquem ao menos os limites da criança com o transtorno do espectro autista – uma situação grave e preocupante. Somente um acompanhamento exclusivo, como define a Lei Federal 12.764/12, de Política de Proteção dos Direitos das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, garantirá um melhor ensinamento através da Intervenção ABA (Applied Behavior Analysis), que significa “Análise Aplicada do Comportamento”.

Renan Azevedo é advogado, especialista em Direito do consumidor e expertise em ações Pro-Autismo.

 

 

 

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11/03/2020 10:00
Coronatiros
Foto: Ricardo Lima/TV Cidade

Interessante o comportamento da população em relação à possível chegada do Coronavírus em Fortaleza. A procura por máscaras e luvas cirúrgicas nas lojas especializadas, a repulsa em apertar as mãos ao encontrar conhecidos e o olhar desconfiado ao ver alguém próximo tossindo ou espirrando, chama atenção.

A população chinesa, com aproximadamente 1,4 bilhões de habitantes, vem sofrendo com a propagação da doença que em 21 de fevereiro de 2020, conforme informação do Universo On-Line (Uol), somava impressionantes 2.345 mortes, ou seja, um a cada 597.000 habitantes da China morrem em decorrência do vírus. O mundo evidentemente se mobilizou, talvez por medo de uma pandemia, talvez por solidariedade ao povo chinês, não importa, seres humanos mortos merecem a preocupação de todos. É a simples e necessária preservação da espécie.

Recentemente, a Polícia Militar da cidade de Fortaleza paralisou o seu serviço para reivindicar melhoria de salários e condições de trabalho. Nestes dias, o número de homicídios na Grande Fortaleza beirou 200 pessoas. Pois bem, Fortaleza com seus 2.700.000 habitantes tem uma média de um cidadão morto a cada 13.500. As mortes por homicídio durante as duas semanas de paralisação da polícia em Fortaleza são 44 vezes maiores que as mortes por Coronavírus na China até hoje. Quarenta e quatro vezes maior!

O surpreendente é que ninguém está comprando coletes à prova de bala. Será que a barbárie foi naturalizada? É importante ressaltar que a violência não decorre da greve da polícia, mas sim da absoluta falta de políticas públicas eficientes em diversos segmentos sociais, da educação à segurança pública. A greve simplesmente mostrou o quão entregue está a cidade e os cidadãos e ninguém percebe. Ou finge que o temor ao vírus deve ser maior.

O avanço das TVs por assinatura e os serviços de streaming permitem que as pessoas escolham o que assistir. As redes sociais criam uma fantasia em cada perfil repletos de narrativas fantasiosas de sucesso, beleza e felicidade. Enfim, existe um claro distanciamento da realidade. As pessoas estão morrendo cada vez mais, vítimas da violência urbana. O que hoje chama a atenção é quem vai vencer as primárias democratas nos Estados Unidos, se o Cristiano está cada vez mais rico e famoso ou ainda o peso deste ou daquele famoso. A sociedade está cega em relação à realidade.

Cada vez mais o afastamento do cidadão comum da vida real permite a criação de células de corrupção e o desmantelo do Estado. Sim, o Coronavírus merece atenção, mas o real e preocupante problema é o “coronatiros”.

Prof. Me. Fernando de Lima Almeida é professor universitário, doutorando em Direito Civil e mestre em Planejamento e Políticas Públicas.

 

 

 

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09/03/2020 10:00
Acostume-se com as "oscilações" na Bolsa de Valores

Não é novidade que investir na Bolsa de Valores virou moda! Afinal, o Ibovespa teve uma valorização de 25% em 1 ano (base 13/01/2020)  e muitas ações com mais de 181% de valorização. Vale lembrar que alguns anos atrás tínhamos uma taxa de juros de aproximadamente de 14% ao ano. Qualquer renda fixa que trouxesse ganhos de 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) poderia render facilmente 1% ao mês.

Porém, o cenário agora é diferente! Com uma taxa de juros próxima a 4,5% ao ano, hoje, o investidor precisa optar por investimentos mais arriscados para almejar um retorno maior. Neste cenário, entram os investimentos em ações e fundos mais agressivos, como os multimercados.

Percebo que muitas pessoas nunca tiveram a experiência de investir nessa modalidade, logo não estão acostumadas com a famosa volatilidade, ou seja, fortes altas ou quedas do patrimônio. A oscilação do patrimônio, se adequada ao perfil de investidor, pode ser de certa forma saudável, porém deve ser muito bem esclarecida para não termos problemas de alinhamento futuro.

É comum, o meu auxilio a pessoas que viram a bolsa subir e quererem agora investir em ações, porém a qualquer momento que nos deparamos com um fato que afeta os mercados, como um bombardeio na Ásia, um novo vírus que pode causar epidemia na saúde, um discurso de presidente, greve dos caminhoneiros... esses investimentos podem sofrer uma queda momentânea, fazendo com que tais investidores fiquem de cabelo em pé e presenciarem a queda forte de algumas ações que já possuem. Resumo que esse perfil de investir aprecia os ganhos desses investimentos, porém se apavoram com os riscos do mesmo, ou seja, estão totalmente desenquadrados.

Acredito que estamos em um novo ciclo econômico e teremos uma taxa de juro “baixa” por alguns anos. Portanto,  precisamos mudar a forma de como enxerga os investimentos, aprender a enfrentar e a comprar risco e dividir os investimentos em pequenos objetivos (na qual chamamos de caixinhas), como curto, médio e longo prazos, ou objetivos com investimentos mais conservadores (como o pagamento de escola de filhos) e investimentos mais “apimentados e de longo prazo (como uma aposentadoria).

 

Caio Fernandez é CEO da IVEST Consultoria de Investimentos

 

 

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